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Bhagavad Gita: as lições que mudaram a minha vida

Bhagavad Gita significa “Sublime Canção” e é uma das obras mais importantes da humanidade. O texto foi escrito por volta de 400 a.C. É um trecho da bíblia do hinduísmo, Mahabharata. Alguns consideram uma narrativa religiosa, outros como estudo filosófico e há quem acredite ser um dos registros históricos do Oriente. Preparado?

Uma família está em guerra. Primos de primeiro grau brigam pelo reinado da cidade de Hastinapura. Formam-se dois exércitos, os Pandavas (mocinhos) e os Kuravas (vilões).

Todos em posição, a luta vai começar. Mas… Calma. Arjuna, o arqueiro e príncipe dos bonzinhos Pandavas, pede para ser conduzido até o meio do campo de batalha pelo mestre Krishna. Ele quer ter noção do tamanho do inimigo e do que enfrenta realmente.

Ao olhar para os dois lados, Arjuna percebe que a parte do adversário é composta por membros da família, amigos, conhecidos, pessoas admiráveis. Como assim? Como atirar a flecha contra os próprios parentes? Ele faz uma série de perguntas ao mestre.

O corpo do príncipe treme, as pernas paralisam, o arco escorre das mãos. Krishna explica o sentido dessa luta, mostra que é uma guerra dentro do próprio Homem, entre o aspecto superior e inferior. Representa as nossas batalhas mentais, como aquelas que a gente tem que ganhar todos os dias para vencer a preguiça, o egoísmo e a raiva. Sabe?!

Depois de muito resistir, Arjuna decide começar a guerra, preparar o arco e seguir em frente. Ele vence.

Fim.

Todo o livro é o diálogo poético entre o mestre e o discípulo, e a cena é como se passasse em um único instante fora do tempo cronológico. O simbolismo foi surpreendente para mim.

Arjuna sou eu, é você, o incansável buscador de um caminho. Os Pandavas, ao nosso lado, são as virtudes. Poucas, podemos contar nos dedos. Elas enfrentam diariamente os Kuravas, centenas de defeitos e vícios. É a famosa batalha da vida mais saudável contra o desejo insaciável, além do necessário, por comida. Ou a preguiça de acordar domingo de manhã para fazer uma boa ação. A raiva despejada nos comentários das redes sociais. A inveja da conquista do amigo. A ira quando você é fechado no trânsito. O medo de arriscar um projeto novo. A língua que coça para falar mal do chefe e da vizinha. E já estou sem fôlego…

O mais revelador foi perceber que amo meus defeitos e, por isso, é tão difícil me livrar deles. Quando Arjuna vê pessoas queridas como inimigos, ele resiste. São os vícios, os quais nos satisfazem momentaneamente, dão prazer: aquela mordida no bombom durante a dieta… O “só dessa vez eu vou ficar dormindo”, o virar as costas quando te pedem ajuda, a procrastinação em fazer o que precisa ser feito. Estamos apegados ao nosso pior lado e perdemos a chance de enxergar novas possibilidades.

Os Pandavas são as forças positivas, aquele sussurro de: “Não faz isso. Veja por outro lado. Tenha paciência e fé. Acredite em você. Você consegue”.

A gente fica confuso com tantas possibilidades, mas temos apenas duas escolhas: para cima ou para baixo; espírito ou matéria; bom para todos ou bom só para você.

Tem a ver com evoluir. Por isso, na história, eles brigam pela dominação de Hastinapura, que significa “cidade do elefante”. Esse animal representa a sabedoria na Índia, porque tem grande força e, ao mesmo tempo, delicadeza. Dizem que apesar do tamanho, ele se desvia do caminho para não pisar nas formigas.

“Maior que a conquista em batalha de mil homens mil vezes é a conquista de si mesmo” — Buda.

Cada ser humano é, em certa medida, Arjuna, um guerreiro que tenta conquistar virtudes. E Krishna é o melhor dentro de nós.

Bhagavad Gita me apresentou sete lições:

–  Chega de se vitimizar e transferir a culpa do que acontece de ruim na vida para outra pessoa. Seja responsável, caramba. A dor, o Karma, é apenas o veículo da consciência, é um tapinha para gente ir para o caminho certo.

– Aquilo que é nunca deixa de ser. Se você perdeu o emprego, o marido te deixou, um amigo se afastou. Não era para ser seu. O que importa é o eterno.

– O que é real é a maneira como lidamos com as coisas. O restante é ilusório. Então, use boas intenções em tudo o que fizer, isso é mais importante do que os frutos que resultam dessa ação. É a máxima: “Fazer o bem sem saber a quem”.

– Cuidado com os pensamentos. Eles estão em constante movimento e podem somar ou subtrair nos seus resultados de evolução.

– “A inatividade não leva à perfeição”, Krishna disse. Como ser bom em alguma coisa? Treino. Treino. Treino. Não há atalho. Não há religião ou curso algum que vai te transformar se você não colocar a mão na massa. Faça.

– A decisão de ser melhor é sempre nossa. Não tem a ver com a circunstância.

– A batalha está ganha. A natureza não falha. Decida o que quer, trabalhe para chegar lá. A vitória vem.

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