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Para que a pressa?

…Pressa…
Para que essa pressa?
Para se chegar aonde, demonstrar que se tem o quê?
Que se é quem?
Qual é a real intenção dessa pressa?

Esmiuçando na minha rotina diária, no meu cotidiano pessoal, pois me incluo em tudo aqui e sempre busco estar constantemente atenta, ou quando estou dando aula, existem algumas máximas comuns, ou melhor uma certa aflição de a qualquer custo:

* Encostar a cabeça no joelho
* Pernas esticadas e palmas das mãos todas no chão
* Fechar uma torção
* Uma ponte “perfeita”
* Um dropback (inclinar-se para trás a partir da postura de pé) ou handstand (parada de mão) sem impulso, quase em câmera lenta
* Mais um asana, e mais um, e mais um…
* Ou pensamentos que às vezes me são externados: “o que falta para eu conseguir aquele asana?’ ou mesmo vivenciados “por que eu não consigo?”

Esses exemplos são questões físicas ou mentais, que na realidade são apenas reflexos dos constantes movimentos de como estamos internamente, que reverberam e assim podemos constatar visualmente e com certa propriedade.

Elas se revelam para quem assiste… Sabe como?

Na respiração curta, com força e sem fluidez alguma, na contração excessiva dos músculos, tensão pelo corpo, olhos fechados e testa franzida, nos lábios sendo comprimidos, mordidos ou nos movimentos tão acelerados quase competindo com o relógio, com o compromisso, consigo mesmo…

Ah, a pressa. Para quê?

Ela gera uma “guerra”…e como na guerra um lado sempre perde, e nessa guerra somos os dois “lados” (oprimido e opressor), se acaba exausto e frustrado.

Na vida, a construção de projetos, planos, objetivos, gerados por desejos os quais não geram mal algum, partem de bases bem firmadas, conquistas gradativas e sobrepostas. Através de tentativas e muitos erros, alguns acertos, sutis crescimentos e, quando necessário, regressão, revisão, novo preparo e mais investimentos… para acima de tudo, uma realização pessoal.

A beleza de tudo isso está justamente nessas conquistas progressivas, pois essas são incorruptíveis quando verdadeiras. São estruturas profundas e silenciosas. Elas cuidam de você, te protegem, te estruturam.

Meu mantra para os alunos (porque também aprendi/recebi assim, não inventei):

“Não brigue com o seu corpo, respire.
Mesmo com uma referência (e elas são importantes se bem utilizadas) busque a forma entendendo o caminho e tempo do seu corpo.
Chegando no que é possível para hoje, sustente, sem forçar… apenas respire longamente e com fluidez (o ujjayi – respiração vitoriosa – é para o próprio praticante somente), traga a atenção ao centro do corpo (udhyana), e a cada expiração se entregue… se entregue… renda-se, não somente aquele dia, mas na rotina da disciplina. (tapas)
Na montagem do asana, entenda a direção da ação, da construção… sempre parta de uma base (aterre firmemente a sua base) para no mínimo 2 direções opostas, conquistando assim a cada milímetro o espaço “dentro”… e espaço? Ah, espaço é movimento, e movimento é liberdade…é vida.”

E por último fica sempre: Para que a pressa?

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